09/07/2007
Especialista em meteorologia prevê resfriamento
global nos próximos 15 anos
Pesquisadores e representantes da Agência Nacional
de Águas (ANA) estiveram reunidos recentemente
para debater mudanças climáticas e impactos sobre
os recursos hídricos do Brasil. Entre eles, uma
voz dissonante afirmava que a Terra não está
esquentando, que o gás carbônico não aquece o
planeta e que o homem não é o principal
responsável pela emissão de gases poluentes,
contrariando as principais conclusões do quarto
relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC, em inglês), divulgado este ano.
Professor da Universidade Federal de Alagoas
(Ufal), Molion é dono de um currículo que inclui
formação em Física pela Universidade de São Paulo
(USP), doutorado em meteorologia pela Universidade
de Wisconsin (EUA) e pós-doutorado em Hidrologia
de Florestas pelo Instituto de Hidrologia
(Inglaterra), além de uma passagem de 25 anos pelo
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe),
onde foi diretor. Mas isso não intimida outros
especialistas ouvidos pela Agência Brasil, que
discordam firmemente de suas contestações.
Sobre a temperatura, Molion alega que o planeta
passa por fases alternantes provocadas por
fenômenos naturais: aquecimento entre 1925 e 1946,
resfriamento entre 1947 e 1976, novo aquecimento
de 1977 a 1998 e, no momento, um resfriamento que
ainda não terminou. "Minha previsão é de que
nesses próximos 15 anos vai haver um resfriamento,
porque o Sol está entrando em um período de menor
produção de energia". Para ele, o planeta deve
esfriar em torno de 0,1 a 0,2 graus em média.
O pesquisador aponta que a superfície terrestre
passa atualmente por um período interglacial -
entre dois períodos em que fica coberta de gelo.
Lembra que houve quatro períodos anteriores como
esse e as temperaturas eram mais elevadas com
níveis de gás carbônico menores. "Isso é sinal de
que o gás carbônico não é responsável pelo aumento
de temperatura. Muito pelo contrário: o que se
percebe é que há um aumento da temperatura
primeiro e, depois, a concentração de gás
carbônico vai atrás".
Molion defende ainda que a quantidade de gás
carbônico emitida pelo homem é três vezes menor
que a de fluxos naturais da fotossíntese em
florestas, oceanos e solos.
O IPCC divulgou relatórios este ano que revelam
que a maior parte do aquecimento dos últimos 50
anos se deve aos gases de efeito estufa produzidos
por atividades humanas, já que as emissões
aumentaram 70% entre 1970 e 2004. Os estudos
apontam que 49 bilhões de toneladas de gás
carbônico são despejadas na atmosfera por ano.
Os pesquisadores Carlos Nobre e Thelma Krug, ambos
membros do Inpe e do IPCC, ficaram inconformados
ao ouvir as opiniões de Molion e disseram que não
há como contestar a seriedade das conclusões do
estudo.
Ela, que é secretária nacional de Mudanças
Climáticas e Qualidade Ambiental e doutora pela
University of Sheffield (Inglaterra), diz ter
conhecimento suficiente para afirmar que qualquer
questionamento é "infundado".
Nobre, que fez doutorado no Massachussets
Institute of Technology (EUA) e pós-doutorado em
Maryland (EUA), comentou que o professor não está
mais na ativa. No currículo lattes de Molion,
consta a publicação de três artigos em periódicos
no ano passado e nenhum neste ano; nenhum texto em
jornal ou revista desde 2003; e dois trabalhos
completos em anais de congressos neste ano.
O relatório do IPCC aponta que a Terra vai se
tornar mais quente até o ano de 2100, o que
significa aumento do nível do mar e catástrofes
naturais mais intensas. Pelas projeções dos 2.500
cientistas que participaram do estudo, o aumento
será de 1,8 a 4 graus. Apesar de os índices de
gases de efeito estufa e aerosóis terem se mantido
estáveis nos últimos anos, a concentração desses
gases deve causar aquecimento de 0,1 grau por
década nos próximos 20 anos. Nos países do
Hemisfério Norte, o aquecimento será mais intenso.
As principais causas são as emissões e o aumento
da concentração de gases poluentes, principalmente
por causa do uso de combustíveis fósseis, como o
petróleo.
(Fonte: Monique Maia e Julio Cruz Neto / Agência
Brasil)